02.01.2008
Panorama Econômico UNIFAE Intelligentia - Relatório Semanal: 24/12/07 a 28/12/07
Autor: Carlos Ilton Cleto
Comércio Internacional. Balança Comercial Semanal – (Dezembro/2007) – 3ª Semana
Fato
Na terceira semana de dezembro, a balança comercial registrou superávit de US$ 1,04 bilhão, com exportações de US$ 4,28 bilhões e importações de US$ 3,23 bilhões. No ano, as exportações totalizaram US$ 157,41 bilhões e as importações, US$ 119,02 bilhões, com saldo positivo de US$ 38,40 bilhões.
Causa
Comparando a média de dezembro de 2006, com a média até a terceira semana de dezembro de 2007, as exportações cresceram 19,5%, com aumento de 50,4% nas vendas de produtos básicos, e 10,9% nas de produtos manufaturados, enquanto diminuíram em 3,9% as vendas de semimanufaturados. Relativamente a novembro de 2007, as exportações cresceram 4,3%, com aumento em básicos e manufaturados, enquanto que os semimanufaturados caíram.
Nas importações, a média diária até a terceira semana foi 66,3% acima da média de dezembro de 2006 e 0,2% inferior a de novembro de 2007. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, aumentaram os gastos com adubos e fertilizantes, combustíveis e lubrificantes, siderúrgicos, veículos automóveis e partes, e instrumentos de ótica e precisão. No comparativo com o mês anterior, houve queda nas importações de: equipamentos elétricos e eletrônicos, veículos automóveis e partes, siderúrgicos, plásticos e obras, e instrumentos de ótica e precisão.
Conseqüência
O forte desempenho das importações, que vêm apresentando taxas de crescimento mais vigorosas do que as exportações, deverão fazer com que o saldo comercial fique próximo dos US$ 39,00 bilhões.
Operações de Crédito Nota à Imprensa (Novembro/2007) - BACEN
Fato
O total do estoque das operações de crédito do sistema financeiro atingiu R$ 908,8 bilhões em novembro, com crescimento de 3,1% no mês e 26,7% em doze meses, atingindo 34,3% na relação com o PIB, 0,7 p.p. acima do mês anterior, e 4,1 p.p. acima de novembro de 2006. A taxa média das operações de crédito referencial atingiu 34,7%, menor valor da série histórica iniciada em junho de 2000. A taxa de inadimplência da carteira de crédito manteve-se em 4,5% da carteira total de crédito.
Causa
Os empréstimos contratados com recursos livres, que representam 70,5% do crédito total, atingiram R$ 641,1 bilhões, crescendo 3,4% no mês e 31,1% em doze meses. Os empréstimos realizados às pessoas físicas aumentaram 2,4% no mês, e 32,6% em doze meses atingindo R$ 312,5 bilhões, nos empréstimos realizados às pessoas jurídicas, o crescimento foi de 4,4% no mês e 27,9% em doze meses, chegando a R$ 328,6 bilhões.
No crédito direcionado, houve aumento de 2,3% no mês, e de 17,5% em relação ao mesmo período de 2006, totalizando R$ 267,7 bilhões. O resultado foi determinado basicamente pelo aumento de 2,8% nas operações contratadas com o BNDES. Os empréstimos destinados ao setor rural aumentaram 1,5%, enquanto os financiamentos direcionados ao segmento habitacional cresceram 1,9%.
As taxas médias de juros recuaram 0,7 p.p. no mês, e 6,3 p.p. em doze meses, atingindo o menor valor da série histórica iniciada em junho de 2000. O spread bancário diminuiu 0,9 p.p. no mês, atingindo 23,5 p.p., também o menor patamar da série histórica.
O custo médio dos empréstimos para pessoas físicas diminuiu 0,1 p.p., no mês e 8,8 p.p. em doze meses, atingindo 44,8% a.a., menor taxa da série histórica iniciada em julho de 1994. Para as empresas, os encargos médios diminuíram 0,1 p.p., no mês, situando-se em 23,3% a.a., variação determinada pelas operações contratadas com encargos prefixados, com destaque para capital de giro. A taxa de inadimplência da carteira de crédito referencial manteve-se no percentual de 4,5%, sendo 7,1% para pessoas físicas e 2,2% para pessoas jurídicas.
Conseqüência
A expectativa é de continuidade no crescimento do crédito, principalmente com a redução das taxas básicas de juros, e a manutenção no crescimento da demanda interna, motivada pelo dinamismo do consumo e aumento dos investimentos.
Política Fiscal Nota à Imprensa (Novembro/2007) - BACEN
Fato
Em novembro, o setor público não financeiro registrou superávit de R$ 6,8 bilhões, no acumulado no ano o superávit atingiu R$ 113,4 bilhões (4,87% do PIB), e considerando o fluxo de doze meses R$ 106,9 bilhões (4,22% do PIB). A dívida líquida do setor público alcançou R$ 1.127,6 bilhões (42,6% do PIB), diminuindo 0,6 p.p. do PIB, em relação ao mês anterior. O montante dos juros apropriados atingiu R$ 12,1 bilhões, no mês, R$ 147,3 bilhões, no ano (6,33% do PIB) e R$ 160,3 bilhões (6,32% do PIB), em doze meses.
Causa
Na composição do superávit primário no mês, o superávit do Governo Central atingiu R$ 4,8 bilhões, o dos governos regionais, R$ 2,0 bilhões e o das empresas estatais, R$ 26 milhões. Com relação aos juros apropriados em novembro, houve redução de R$ 3,8 bilhões em relação ao total apropriado em outubro. Esta queda foi decorrente do efeito da desvalorização cambial sobre os ativos indexados ao câmbio e o menor número de dias em úteis em novembro. Também houve quedas na apropriação dos juros com relação ao PIB, no acumulado do ano 0,59 p.p. em relação ao mesmo período do ano anterior, e em doze meses, 0,04 p.p. com relação a outubro.
A Dívida Líquida do Setor Público como percentual do PIB, caiu 0,6 p.p., na comparação com o mês anterior. No ano, este percentual caiu 2,1 p.p., vindo a maior contribuição para a queda, do superávit primário e o efeito do crescimento do PIB valorizado. Por outro lado, os juros nominais apropriados, foi o item de maior peso para que a redução não fosse maior.
Conseqüência
A dívida pública em termos de proporção do PIB vem se reduzindo, motivada principalmente pela queda nos juros apropriados, crescimento do superávit primário e crescimento do PIB. Todavia, a não aprovação da continuidade da CPMF, poderá comprometer a geração de superávits futuros, compatíveis com a continuidade desta redução.
Atividade ICC – Índice de Confiança do Consumidor (Dezembro/2007) – FGV
Fato
Entre os meses de novembro e dezembro, o ICC apresentou aumento de 5,2%, passando de 114,3 para 120,3, o maior nível da série histórica iniciada em setembro de 2005. O índice da Situação Atual aumentou 9,3%, passando de 111,3 para 121,7. O Índice das Expectativas cresceu 3,3%, variando de 115,9 para 119,7.
 Fonte: FGV
Causa
Com referência a situação presente, a proporção de consumidores que avaliam a situação financeira da família como boa, elevou-se 6,4 p.p., e a dos que a consideram ruim, diminuiu 2,2 p.p. No que tange ao futuro, houve aumento de 4,6 p.p. na proporção de informantes que prevêem gastar mais nos próximos seis meses, e redução de 5,6 p.p. na parcela dos que esperam gastar menos.
Conseqüência
Nas próximas apurações o índice deverá apresentar queda, pois além do fato de encontrar-se em patamar bastante elevado, o fim do efeito do décimo terceiro, e o aumento de gastos do início do ano com matrícula, material escolar, IPTU, entre outros, exercerão pressão negativa.
Atividade ICI – Índice de Confiança da Indústria (Dezembro/2007) – FGV
Fato
Na passagem de novembro para dezembro, o Índice de Confiança da Indústria de Transformação, registrou nova queda, 4,2%, passando de 121,2 para 116,1. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o ICI avançou 9,2%. O Nível de Utilização da Capacidade Instalada caiu 0,5 p.p., e chegou a 86,7%.
 Fonte: FGV
 Fonte: FGV
Causa
No mês, a avaliação da Situação Atual, caiu de 131,1 para 129,3 pontos. O Índice de Expectativas recuou de 111,4 para 103,0 pontos. No período de doze meses o crescimento foi de 11,7% para a Situação Atual, e 6,4%, para o Índice de Expectativas.
No período de 12 meses, no Índice da Situação Atual, destaca-se a avaliação feita a respeito do nível de demanda. A proporção de empresas que avaliam o nível de demanda como forte aumentou de 18% para 33%, e a dos que a consideram como fraca passou, de 8% para 9%. No que tange ao Índice das Expectativas, houve evolução na proporção das empresas que esperam contratar mais nos próximos três meses, sendo que 27% prevêem contratar mais e 16% contratar menos. Em dezembro de 2006 estes percentuais eram de 18% e 17%, respectivamente.
Conseqüências
Apesar da queda com relação ao mês anterior, o Índice de Confiança da Indústria de Transformação, apresenta-se bastante favorável, sendo o recuo motivado por fatores sazonais. Para os próximos meses é esperada queda até janeiro do próximo ano, e retomada do crescimento a partir deste mês. O comportamento do índice aponta que o desempenho da indústria em 2008, deverá apresentar resultados positivos.
Inflação IGP-M (Dezembro/2007) – FGV
Fato
Após dois meses de desaquecimento o IGP-M voltou a subir, variando 1,76% em dezembro, 1,07 p.p. acima da variação de novembro. Em doze meses o acumulado atingiu 7,74%. Causa
Dos componentes do IGP-M, apenas o INCC apresentou desaquecimento no mês. O IPA, que tem a maior participação na composição do IGP-M (60%), aumentou em 1,39 p.p., na comparação com o mês anterior, chegando a 2,36%. A aceleração foi conseqüência dos alimentos “in natura” e combustíveis, em Bens Finais, combustíveis e lubrificantes para a produção, em Bens Intermediários, e principalmente do grupo Matérias-Primas Brutas que ampliou 3,30 p.p., a sua taxa de variação decorrente de milho, soja, bovinos, e aves.
O IPC variou 0,67% em dezembro, aumentando 0,63 p.p. A principal contribuição em sentido ascendente, foi do grupo Alimentação, tendo também apresentado aceleração os grupos Transporte, Despesas Diversas, e Saúde e Cuidados Pessoais. No INCC ocorreu desaceleração de 0,05 p.p., fechando o mês com variação de 0,43%, com aumento em Mão de Obra, e queda em Serviços e Materiais.
 Fonte: FGV
Conseqüência
O aumento ocorrido nos meses de agosto, setembro, e dezembro, comprometeram o acumulado em doze meses, e ainda terão reflexos nas futuras variações do índice. Porém, a expectativa é de arrefecimento e variações cada vez menos intensas nos próximos períodos.
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