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9 DE FEVEREIRO DE 2010
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Opinião - Ambiente Econômico - Crescimento e Emprego

Qual a facilidade de se fazerem negócios no Brasil? A visão do Banco Mundial


Autor: Thalita M. Sugisawa Okazaki*

Thalita M. Sugisawa Okazaki
O Banco Mundial lançou, no mês de setembro, um relatório chamado “Fazendo Negócios 2007: como Reformar”. Esse estudo teve como objetivo descobrir a viabilidade de se fazerem negócios em cada um dos 175 países em que ele se realizou. Os países classificados nos dez primeiros lugares como as melhores economias para se fazerem negócios foram: Cingapura, Nova Zelândia, Estados Unidos, Canadá, Hong-Kong, Reino Unido, Dinamarca, Austrália, Noruega e Irlanda.

Os critérios impostos para que se chegasse a uma avaliação final tiveram como base o tempo e o custo para a operacionalização de cada um, como, por exemplo: abrir uma firma; obter licenças; empregar trabalhadores; registrar propriedade; obter crédito; proteger investidores; pagar tributos; comércio exterior; executar contratos; fechar uma firma.

O Brasil, apesar de ter subido uma posição, com relação ao relatório anterior, ainda assim, ficou em 121º lugar. Seus melhores indicadores são a proteção a investidores e o comércio exterior; e os piores, obter licenças e fechar uma firma, apesar de esta última ter evoluído 14 pontos da avaliação anterior. Em termos de regressão, as condições para abrir uma firma pioraram 9 pontos, e a obtenção de crédito do 83o lugar despencou para o 76º.

A tabela classificatória disponível no site do Banco Mundial apresenta a classificação de cada critério, além de estabelecer uma evolução do ano anterior.


Fonte: Banco Mundial

Se comparado com os países do Mercosul, o Brasil está à frente somente da Venezuela, sendo o Uruguai o grande destaque do grupo, classificando-se em 64º lugar. Na comparação com os países do BRIC – Brasil, Rússia, Índia e China – grupo das grandes economias emergentes sob o qual pairam previsões de supremacia no contexto mundial – o Brasil está atrás da China e da Rússia. Nesse sentido, as comparações entre esses países tornam-se mais adequadas do que alinhar as taxas anuais de crescimento econômico, pois são fatores propulsores para a sustentabilidade da economia.

O termo sustentabilidade pode ser entendido como tudo aquilo que sustentado está. Ora, o crescimento econômico não necessariamente é considerado um fator sustentável, já que há grande possibilidade de ocorrerem oscilações de acordo com o período e todo o contexto mundial, incluindo ações protecionistas, guerras, conflitos internos, acordos comerciais, entre outros. Em contrapartida, a continuidade do aperfeiçoamento dos processos que permitem à economia operar de maneira mais fluente e com mais possibilidades de desenvolvimento é um fator que dá sustentabilidade à economia de um país.

Foram descritos, no relatório do Banco Mundial, elementos que progrediram em cada país, além do contexto dos critérios. O único fator de melhora evidenciado no Brasil foi o avanço na eficiência dos tribunais ao limitar recursos sem importância e simplificar a execução de julgamentos. Ainda assim, é sabido que há um grande caminho a ser percorrido quanto à gestão nas esferas da atuação pública para que esta facilite os processos de que a iniciativa privada necessita.

Esses dados são, de fato, evidências de que a malha burocrática brasileira deve e precisa melhorar para estar num bom nível de competitividade internacional e, principalmente, proporcionar condições mais avançadas para os empresários nacionais. A importância desse relatório é a possibilidade de verificação concreta do atual cenário e a constatação da urgência na promoção de aperfeiçoamentos.

*Thalita M. Sugisawa Okazaki é Mestranda em Organizações e Desenvolvimento, linha de pesquisa de Políticas Públicas - UniFAE, Especialista em Negócios Internacionais - UniFAE, Bacharel em Relações Internacionais - FIC.

     
   
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