Notícias

30.08.2018

Educar: promover a cultura do diálogo e da solidariedade


Por: Frei João Mannes, presidente do Grupo Educacional Bom Jesus
Por: Frei João Mannes, presidente do Grupo Educacional Bom Jesus
A vocação à solidariedade convida as pessoas do século XXI a confrontarem-se com os desafios da convivência multicultural. Nas sociedades globais, convivem diariamente cidadãos de tradições, culturas, religiões e concepções de mundo diferentes, e daí surgem muitas vezes incompreensões e conflitos. Em tais circunstâncias, as religiões são frequentemente consideradas estruturas de princípios e valores monolíticos, intransigentes, incapazes de conduzir a humanidade à sociedade global. A Igreja Católica, pelo seu lado, “nada rejeita do que nessas religiões existe de verdadeiro e santo”, e é seu dever “anunciar a cruz de Cristo como sinal do amor universal de Deus e como fonte de toda a graça”.

A cultura do diálogo não significa simplesmente conversar para se conhecer, de modo a facilitar o encontro entre cidadãos de diferentes culturas. O autêntico diálogo ocorre em um quadro ético de requisitos e atitudes formativas, bem como de objetivos sociais. Os requisitos éticos para dialogar são a liberdade e a igualdade: os participantes do diálogo devem estar livres de seus interesses contingentes e estar dispostos a reconhecer a dignidade de todos os interlocutores. Esses comportamentos são baseados na coerência com o próprio universo de valores e se traduzem na intenção geral de conciliar as ações com as declarações, isto é, de associar os princípios éticos anunciados (por exemplo paz, igualdade, respeito, democracia etc.) com as escolhas sociais e civis realizadas. Trata-se de uma “gramática do diálogo”, como indicado pelo Papa Francisco, capaz de “construir pontes e […] encontrar respostas para os desafios do nosso tempo”.

No pluralismo ético-religioso, em vez de serem um obstáculo, as religiões podem estar a serviço da convivência pública. Com base nos valores positivos de amor, esperança e salvação, em um quadro de relações performativo e coerente, as religiões podem contribuir de modo significativo para a realização dos objetivos sociais de paz e justiça.

A educação para o humanismo solidário tem a delicada responsabilidade de assegurar a formação de cidadãos dotados de uma adequada cultura do diálogo. Além disso, a dimensão intercultural é frequentemente vivida nas salas de aula de todos os tipos e níveis, bem como nas instituições universitárias, portanto é a partir delas que se deve difundir a cultura do diálogo. O quadro de valores no qual vive, pensa e age o cidadão formado para o diálogo é baseado em princípios relacionais (gratuidade, liberdade, igualdade, coerência, paz e bem comum), que entram de modo positivo e decisivo nos programas didáticos e formativos das instituições que prezam o humanismo solidário.

É da natureza da educação a capacidade de construir as bases para um diálogo pacífico e de permitir o encontro entre as diversidades, com o objetivo principal de edificar um mundo melhor. Trata-se, em primeiro lugar, de um processo educativo no qual a busca por uma convivência pacífica e enriquecedora enraíza-se no mais amplo conceito de ser humano – na sua caracterização psicológica, cultural e espiritual – para além de qualquer forma de egocentrismo e etnocentrismo, segundo uma concepção de desenvolvimento integral e transcendente da pessoa e da sociedade.

Fonte: Educar ao humanismo solidário: para construir uma “civilização do amor” (Documentos da Igreja: 41).

Paz e Bem!

Frei João Mannes, ofm
Presidente do Grupo Educacional Bom Jesus


Compartilhe: